O verdadeiro activismo social e político não se limita à crítica fácil nem à promoção de manifestações vazias de conteúdo. O activista genuíno é aquele que identifica os problemas da sociedade, denuncia as injustiças, mas, acima de tudo, apresenta caminhos e soluções concretas para a sua resolução.
Criticar por criticar, incitar a revolta sem objectivos claros ou arrastar inocentes para fazer barulho nas ruas sem uma agenda construtiva não é activismo; é irresponsabilidade. A transformação social não nasce do caos, mas sim da capacidade de mobilizar consciências em torno de ideias, propostas e projectos que melhorem efectivamente a vida das populações.
O activista sério compreende que a sua missão não é apenas apontar os erros dos governantes ou das instituições. A sua missão é contribuir para a construção de alternativas viáveis, promover o diálogo, incentivar a participação cívica e ajudar a encontrar soluções para os desafios colectivos.
Uma sociedade progride quando as críticas são acompanhadas de propostas, quando a indignação se transforma em acção positiva e quando a voz do povo é utilizada para construir e não apenas para destruir.
Por isso, é fundamental distinguir o activismo responsável do mero espectáculo político. O primeiro edifica, esclarece e mobiliza para o bem comum; o segundo explora emoções, alimenta conflitos e muitas vezes deixa apenas ruído onde deveriam existir ideias.
O futuro pertence aos que têm coragem de denunciar o que está errado, mas também competência e visão para indicar o que deve ser feito. Esse é o verdadeiro activismo: aquele que serve o povo com consciência, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento da sociedade.
Deusinho Zambel Tiago
Psicólogo, jornalista e analista de política