A intolerância política que se tem verificado em certos pontos de Angola, amplamente difundida nos últimos dias por diferentes plataformas mediáticas, levanta sérias preocupações quanto à maturidade democrática de alguns actores políticos nacionais. Os protagonistas destes episódios, apontados como simpatizantes da UNITA, têm sido associados a actos de vandalismo e destruição de património pertencente a forças políticas concorrentes, com destaque para o partido que governa o país.
Num Estado que se afirma democrático e comprometido com a reconciliação nacional, atitudes dessa natureza transmitem a sensação de que há forças políticas ainda despreparadas para um exercício verdadeiramente plural, tolerante e responsável da democracia. A divergência de ideias e projectos é própria da competição política; já a violência simbólica ou material constitui uma negação dos princípios básicos do Estado de Direito.
A destruição deliberada de património político, sobretudo em período pré-eleitoral, não representa força nem coragem política. Pelo contrário, revela fragilidade estratégica e ausência de argumentos convincentes para conquistar o eleitorado pela via do debate e das propostas. Quando militantes de um partido da oposição recorrem a actos de intolerância contra estruturas de um partido no poder, como o MPLA, acabam por projectar uma imagem de derrota antecipada, antes mesmo do confronto democrático nas urnas.
Estes comportamentos abrem igualmente caminho para o descrédito popular contra o partido prevaricador. A população, cada vez mais atenta e exigente, tende a rejeitar discursos que se apresentam como defensores da democracia, mas que na prática contradizem esses mesmos valores. Não há coerência possível entre apelos públicos à liberdade, à paz e ao pluralismo, e acções que promovem o ódio, a destruição e a instabilidade social.
Angola, enquanto nação que percorreu um longo e doloroso caminho rumo à paz, não pode permitir retrocessos que coloquem em causa as conquistas alcançadas com sacrifício. O momento exige serenidade, responsabilidade política e um compromisso efectivo com a convivência democrática. A verdadeira força de um partido mede-se pela sua capacidade de convencer, mobilizar e unir, e não pela imposição através da intolerância.
Às vésperas de um novo ciclo eleitoral em Angola, espera-se que todos os actores políticos estejam à altura do desafio histórico: fazer da democracia um espaço de exemplos positivos, de reconciliação e de respeito mútuo, em benefício da estabilidade nacional e da confiança do povo angolano, preservando o ambiente de Paz.
By: Marciano Zaragoza
Editor de política domestica in ADF