A morte do Arcebispo Emérito do Lubango, Dom Zacarias Kamwenho, ocorrida sexta-feira, 29, em Luanda, no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha "Pedalé", está a consternar a comunidade católica, outras denominações religiosas, o Governo Provincial da Huíla, entre outras granjas da sociedade.
Ao tomar conhecimento do infortúnio, o governador provincial da Huíla, Nuno Sala, endereçou condolências à família enlutada, à Igreja Católica em Angola, à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e aos fiéis, pela perda de uma das mais destacadas figuras da Igreja Católica angolana.
Segundo o governante, Dom Zacarias Kamwenho deixa um legado marcante em várias áreas, com destaque para a busca permanente do conhecimento, a promoção da dignidade humana e a defesa do diálogo como instrumento de entendimento e progresso social.
Nuno Mahapi Dala recordou ainda que o contributo incansável do prelado para a consolidação da paz e da reconciliação nacional valeu-lhe o reconhecimento internacional através do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu em 2001.
A nota de condolências do Governo Provincial da Huíla considera que esta distinção projectou Angola além-fronteiras e reforçou a relevância dos valores da paz, da justiça e da convivência humana.
Nascido a 5 de Setembro de 1934, na localidade de Chimbundo, município do Bailundo, província do Huambo, Dom Zacarias Kamwenho foi ordenado sacerdote em 1961 e iniciou uma trajectória pastoral dedicada à promoção dos valores cristãos e ao serviço das comunidades.
Em 1974, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Luanda e, posteriormente, desempenhou funções episcopais no Sumbe. Em 1997, assumiu a liderança da Arquidiocese do Lubango, numa fase particularmente desafiante da história do país, marcada pelo conflito armado.
Ao longo da sua missão, presidiu à CEAST e ao Comité Inter-Eclesial para a Paz em Angola (COIEPA), desempenhando um papel relevante nos esforços de mediação e promoção do diálogo entre o Governo e a UNITA, defendendo sempre a paz como único caminho para a reconciliação nacional.
Dom Zacarias Kamwenho cessou funções como Arcebispo do Lubango em 2009, deixando uma marca indelével na Igreja Católica, na sociedade angolana e, em particular, na província da Huíla, onde é amplamente reconhecido pelo seu trabalho pastoral, social e humanitário.
Jornal de Angola