Nos últimos tempos, a província de Luanda tem sido palco de actos recorrentes de vandalismo contra infraestruturas públicas, com destaque para o derrube de torres de transporte de energia eléctrica — um comportamento que ultrapassa a esfera do simples crime patrimonial e se configura como um verdadeiro atentado ao bem-estar colectivo e ao desenvolvimento nacional.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, foi peremptório ao classificar tais acções como actos de sabotagem, uma posição que merece não apenas atenção, mas reflexão profunda por parte de toda a sociedade angolana. Quando se destrói uma torre de energia, não se está apenas a danificar ferro e cabos; está-se a mergulhar bairros inteiros na escuridão, a comprometer hospitais, escolas, pequenas indústrias e a agravar ainda mais as dificuldades de milhares de famílias.
É preciso dizer com clareza: não há justificação social, económica ou política que legitime o vandalismo de bens públicos. Estas infraestruturas são construídas com recursos do Estado — ou seja, com o esforço colectivo dos cidadãos. Destruí-las é, em última instância, destruir o que pertence ao próprio povo.
O impacto destas acções é devastador. Para além da interrupção do fornecimento de energia, surgem prejuízos económicos incalculáveis, aumento da insegurança nos bairros afectados e retrocessos nos avanços que o país vem registando no sector energético. Angola tem feito investimentos significativos para expandir e melhorar a rede eléctrica, visando garantir maior acesso à energia — um factor essencial para o desenvolvimento sustentável. Contudo, esses esforços ficam comprometidos quando indivíduos, movidos por interesses obscuros ou pura irresponsabilidade, optam pelo caminho da destruição.
A posição do ministro ao exigir rigor na aplicação da lei deve ser encarada como um apelo urgente à responsabilização. O combate ao vandalismo não pode ser brando nem selectivo. É necessário que os órgãos de justiça actuem com firmeza, identificando, julgando e punindo exemplarmente os autores destes crimes. A impunidade, como se sabe, é terreno fértil para a repetição do delito.
Entretanto, a solução não passa apenas pela repressão. É igualmente fundamental apostar na consciencialização cívica, envolvendo comunidades, líderes locais, organizações da sociedade civil e os próprios jovens na defesa do património público. A educação para a cidadania deve reforçar a ideia de que proteger os bens comuns é um dever de todos.
Além disso, urge reforçar os mecanismos de vigilância e segurança das infraestruturas energéticas, recorrendo a tecnologias modernas e a uma maior coordenação entre as autoridades competentes. A prevenção deve caminhar lado a lado com a punição.
Este fenómeno levanta ainda uma questão mais profunda: que tipo de sociedade queremos construir? Uma sociedade que destrói o que é seu está condenada ao atraso. Por outro lado, uma sociedade que protege, valoriza e preserva o que constrói colectivamente, está no caminho certo para o progresso.
Em suma, o vandalismo das torres de energia não é apenas um crime contra o Estado — é um crime contra cada cidadão angolano. É tempo de dizer basta. Com leis firmes, justiça efectiva e uma consciência cívica mais forte, Angola poderá travar este flagelo e garantir que a luz que chega às casas dos seus cidadãos não seja apagada pela mão da irresponsabilidade.
Porque defender os bens públicos é defender o futuro de todos.
By: Marciano Zaragoza
Editor de política e sociedade
Tel. 946 03 43 99
E-mail: antenaditosef@gmail.com
Site: antenaditosefactos.com