VIANA | REORDENAMENTO DO COMÉRCIO: UMA NECESSIDADE PARA A ORGANIZAÇÃO E DIGNIDADE URBANA
Por Kamuambi Ndô Mbâxi
Publicado em 25/06/2026 04:29
Sociedade
A verdade é que o crescimento desordenado da actividade comercial nas vias públicas tem provocado inúmeros constrangimentos urbanos. Passeios ocupados, estradas congestionadas, acumulação de lixo, falta de higiene alimentar e riscos constantes para peões e automobilistas tornaram-se problemas frequentes em várias zonas de Luanda.

O reordenamento do comércio em Luanda, particularmente no município de Viana, não deve ser interpretado como uma perseguição à venda ambulante ou às nossas respeitáveis zungueiras, figuras históricas e fundamentais da economia informal angolana. Pelo contrário, trata-se de uma medida necessária para impor ordem no casco urbano, garantir melhores condições de segurança, higiene, mobilidade e salubridade pública para todos os cidadãos.

As zungueiras representam a força de trabalho, a resistência e a capacidade empreendedora da mulher angolana. Durante décadas, elas têm contribuído significativamente para o sustento de milhares de famílias e para a dinâmica económica do país. Portanto, qualquer processo de reorganização do comércio deve reconhecer esse papel social e económico, valorizando essas mulheres e criando condições dignas para o exercício das suas actividades.

No entanto, é igualmente verdade que o crescimento desordenado da actividade comercial nas vias públicas tem provocado inúmeros constrangimentos urbanos. Passeios ocupados, estradas congestionadas, acumulação de lixo, falta de higiene alimentar e riscos constantes para peões e automobilistas tornaram-se problemas frequentes em várias zonas de Luanda. Em Viana, onde a densidade populacional cresce aceleradamente, torna-se urgente implementar medidas estruturadas que promovam uma convivência harmoniosa entre a actividade comercial e a organização da cidade.

Neste contexto, surge inequivocamente o grande desafio das autoridades administrativas locais do Estado: criar mecanismos eficazes, humanos e sustentáveis que definam espaços apropriados para a prática comercial. A construção e organização de feiras de comidas rápidas, mercados formais e áreas específicas para venda ambulante são soluções inteligentes e equilibradas. Esses espaços permitiriam que funcionários públicos, trabalhadores do sector privado, estudantes e transeuntes pudessem deslocar-se com segurança para adquirir alimentos e outros produtos em ambientes organizados, limpos e fiscalizados.

Além disso, o reordenamento urbano pode impulsionar a formalização gradual da economia informal, aumentar a arrecadação fiscal e promover melhores condições sanitárias para vendedores e consumidores. Uma cidade organizada transmite confiança, atrai investimentos e melhora a qualidade de vida da população.

Importa também destacar que o sucesso dessas medidas depende do diálogo permanente entre as autoridades e os vendedores ambulantes. Não basta retirar comerciantes das ruas; é necessário apresentar alternativas viáveis, acessíveis e humanizadas. O processo deve ser conduzido com sensibilidade social, respeito pela dignidade humana e visão estratégica de desenvolvimento urbano.

Luanda precisa evoluir. Viana precisa crescer com ordem, disciplina e planeamento. O desenvolvimento urbano moderno exige coragem administrativa, mas também inclusão social. O comércio informal não deve ser combatido, mas sim organizado, valorizado e integrado num modelo urbano mais seguro e funcional.

Uma cidade limpa, organizada e segura beneficia a todos. E esse é um compromisso que deve unir cidadãos, autoridades e comerciantes em prol de uma Luanda mais digna, moderna e humana.

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